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 Distrito 01

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Amethyst Portshore
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MensagemAssunto: Distrito 01   Ter Mar 14, 2017 1:04 pm



DISTRITO 1


"O Distrito 1 é um dos mais ricos de Panem. A sua principal atividade é a fabricação de artigos de luxo para a Capital, como diamantes e outras pedras preciosas."


Antecipando os dias da Colheita, o ambiente no Distrito 1 estava longe de ser tenso. Os mais fracos sempre se sentiram seguros por saberem que sempre terão os Carreiristas como voluntários.

ATENÇÃO: Utilize este tópico para interagir dentro do seu Distrito (sozinho ou com o seu companheiro de Distrito). Pode falar de tudo, desde do que está fazendo até ao que está sentindo. Aproveite para desenvolver a história do seu personagem. A postagem não é obrigatória, mas apenas a faça se tiver a certeza que não mudará o distrito e ocupação do seu personagem depois. E lembre-se: O seu personagem ainda não foi escolhido na Colheita.

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Lycan Palladium

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Jogador : Haniel

MensagemAssunto: Re: Distrito 01   Ter Ago 29, 2017 9:01 pm


L Y C A NㅤP A L L A D I U M

Hoje meu reflexo no espelho está ainda mais lindo do que ontem... e eu achava que isso fosse impossível. É como dizem "vivendo e aprendendo". Dou umas ajeitadas no cabelo, alguns tapinhas nas maçãs do rosto para ficar corado e envio um beijo para mim mesmo antes de finalmente sair do vestiário da academia e me apresentar no salão.

O fedor de suor dos tatames está ali como sempre. Uma coisa nojenta, indigna de mim, mas que de qualquer forma sou obrigado a aturar se quiser manter o meu posto de carreirista em treinamento mais lindo, sexy e desejado do Distrito 1. Paro perto de um dos estandes de armas e uso uma lança como cajado para ficar apoiado, varrendo o lugar com os olhos. Meu irmão Blaze está ali, em um dos cantos treinando um carreiristazinho qualquer que provavelmente nunca vai chegar a sequer se voluntariar, mas meu treinador não está presente. Romeo Citrine, o DILF delicia. Depois que meus pais morreram para salvar a vida dele e de Pearl quando estavam sendo caçados pela Capital, acho que ele ficou com remorso e resolveu me adotar emocionalmente. Isso, ou ele tem desejos no meu corpo e não tem coragem suficiente para admitir isso. De qualquer forma, por mais gostosinho que seja, está atrasado e não se deixa Lycan Palladium esperando. Meu tempo vale muito para ser negligenciado dessa forma.

- BLAZE! BLAZE! BLAZE! - Jogo a lança de metal de volta para o estande, causando um estardalhaço de metal contra metal absurdo e começo a gritar estridentemente o nome do meu irmão. - Cadê o Romeo? Ele já deveria ter aparecido, aquele irresponsável de corpo escultural. - Falo de um jeito meigo ao me aproximar dele, o abraçando com a cabeça apoiada em seu ombro.

Meu irmão suspira, me separa dele e faz sinal para que seu aluno aguarde. O garoto, que parece recém ter iniciado seus treinos, faz cara de mau humorado e me fulmina com os olhos.

- Que que é, seu merdinha? Tá me olhando por que? Tem porra na minha cara? Desculpa, é que eu tava chupando teu pai no vestiário e esqueci de limpar. Agora sou a vadiazinha dele, sabia? - Metralho as palavras, me aproximando do menino de um jeito ameaçador.

O idiotinha faz cara de assustado, até Blaze me agarrar pelos ombros e puxar para o outro lado. Enquanto sou arrastado por meu meu irmão, começo a dar risadinhas debochadas e a fazer sinais obscenos para o menino.

- Eu não sei cadê o Romeo, Lycan. Não sou grudado com ele. Agora dá um tempo que eu preciso trabalhar. - Ele cruza os braços quando para na minha frente, o semblante cansado.

- Ah é? Eu sempre achei que fosse... - Comento em ar distraído, me fazendo de idiota e olhando para o nada como um retardado. - Eu sei que vocês não são grudados, seu merda! Só achei que por ambos serem treinadores talvez você soubesse, mas esquece. Eu tenho um irmão tão inútil que prefere dar aulas pra um pirralho de bunda cagada em vez de treinar comigo, eu não mereço esse martírio.

- O "pirralho de bunda cagada" não é tão irritante, por isso eu prefiro ficar com ele. Além do mais, eu não sei o que mais poderia te ensinar. Você já parece saber tudo que eu tenho para passar. Romeo é o treinador mais indicado pra você. - Ele continua sério, por vezes olhando para o garotinho lá no outro canto do salão que parece estar pensando seriamente da possibilidade de eu ter pego o pai dele de jeito.

- TÁ! Vai lá treinar o projeto de cadáver. - Digo o empurrando para longe, mas mudo de ideia logo em seguida, para então o pegar pela mão de puxá-lo de volta. - Mas antes diz que me ama. - Termino a frase com um sorrisinho mostrando todos os dentes.

- Te amo, Lycan. Agora senta e espera o seu treinador, logo ele deve estar chegando. - Blaze puxa sua mão de volta rispidamente e sai caminhando, rumando de volta para seu pupilo.

- Vou ficar de pé. Ninguém manda em mim. - Sussurro, chutando um capacete que estava no chão, para então começar a caminhar em círculos enquanto espero o Citrine aparecer.
   
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Amethyst Portshore
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MensagemAssunto: Re: Distrito 01   Sab Set 16, 2017 3:34 pm



Turnê da Vitória

Dante Archer chega finalmente no penúltimo distrito de sua turnê. Por todo o caminho, desde a estação de trem até o Edifício da Justiça, fica impossível não se surpreender com a beleza do lugar e com a elegância da população. Alguns curiosos olhavam, mas ninguém mostrou muita animação. Na verdade, alguns até cochichavam uns para os outros nas ruas.

Antes do carro do mais novo vitorioso chegar no local da turnê, o rapaz avista de longe da janela o casal de vitoriosos do Distrito 1 - Romeo Citrine e Pearl Citrine - se despedindo de seu casal de filhos pequenos. Os vitoriosos entram pela porta de trás do prédio e desaparecem da vista de Dante.

No palco, o vitorioso é recebido com palmas pouco animadas e notoriamente dadas por educação. Como ocorreu anteriormente, várias pessoas da multidão cochichavam e algumas até apontavam para Dante e depois para Romeo. O casal do Distrito 1 permanece inexpressivo durante todo o discurso do rapaz.

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No pedestal de Caleo Citrine, estão seus pais, que estão com o olhar de orgulho com uma pitada de desdém típico do Distrito 1. No de Melary Gillian, está apenas sua irmã mais velha, que visivelmente está muitíssimo abalada.

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Dante Archer

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MensagemAssunto: Re: Distrito 01   Seg Set 18, 2017 7:19 pm


DANTE ARCHER

Começo a achar que Mertle pensa que todos os habitantes de Panem são como os Capitalenses, que aparentemente vêm discórdia e indiretas em toda palavra que sai da boca de quem quer que seja. Eu entendo a responsabilidade que é falar para um Distrito inteiro, eu entendo que possa haver mal-entendidos e sei que não fiz a melhor figura no Distrito Doze. Mas a sério, Mertle estava a fazer uma tempestade num copo de água por eu ter mudado um pouco o discurso no Dois, quando não houve uma única manifestação de desagrado perante as minhas palavras. Durante toda a viagem do Dois para o Um que não para de me dar na cabeça sobre isso. Mas sei que não é só pelo que eu disse lá no palco. Sei que ela está com medo que eu repita o mesmo teatro no Distrito Um. E nisso, tem a sua razão. Ela não pode simplesmente esperar que eu me limite a palavras pré-escritas perante o Distrito que me tirou Zachary… muito menos com quem o matou presente no palco.

A cada quilómetro que avançávamos a minha ansiedade subia, sentia-me como se isto fosse a etapa final. Não minha luta com Demon. Não meu regresso a casa. Mas finalmente enfrentar quem durante todos anos alimentou minha raiva, fez crescer o ódio em mim, o que me fez prometer a mim mesmo que me voluntariaria assim que cumprisse meus dezoito anos. Tento pensar, uma e outra vez, no que lhe possa dizer que não soe agressivo. Tenho receio de que se for simplesmente dizer o que realmente quero dizer, o que me der na gana no momento, só vai sair merda e vou arranjar problemas. Se fosse só com Romeo, tudo bem. Mas estará sempre a Capital no meio de nós os dois. Mertle já deixou bem claro o que isso pode trazer e eu tenho plena consciência que não tenho jeito nenhum para organizar e selecionar o que dizer, ainda mais com a minha forma bruta de falar.  Mas não posso simplesmente subir naquele palco, o mesmo palco que ele está pisando, e dizer palavras que não são minhas, como se não fosse nada. Como se a morte de Zach não valesse nada, e perante todo o Distrito que celebrou quando Romeo lhe tirou a vida. Não precisa ser nada agressivo. Só preciso deixar claro que não é um assunto esquecido. Que eles não se podem dignar a esquecer-se. Que enquanto eu estiver aqui, garantirei que ninguém se esqueça. Pode correr terrivelmente mal, poderá me fazer parecer ainda mais idiota, mas preciso fazê-lo pelo meu irmão.

Depois de uma viagem de trem que só pareceu longa por quanto minha mente se torturava a si mesma, à medida que eu tentava conter em mim mesmo todo o ódio e raiva que eu tenho por Romeo e pelo Distrito Um que eu achava ter adormecido ou pelo menos amansado, somos rapidamente transferidos para um carro como nos distritos anteriores. Respiro fundo várias vezes, tento me acalmar, mas cada centímetro que via pela janela desse lugar só alimentava mais minha raiva. Até chegarmos à estação deu para ver uma grande área rural, coberto de vinhas e algumas minas. Mas o centro é completamente diferente. É tudo tão bonito, organizado, limpo. Como se vivessem num país completamente à parte. Nem o Dois, e muito menos o Quatro, eram assim. Claro que nunca trocaria o Dez por um lugar como esses, mas a diferença era tão abismal que só metia raiva mesmo. Duvido que algum dos indivíduos que tenham casa aqui no centro saibam sequer o que é passar fome…

Meu olhar diverge imediatamente da paisagem quando avisto Romeo e Pearl se despedindo dos filhos ao longe. Apesar de julgar suas péssimas escolhas de vida, não consigo detestar a garota. Ela não escolheu passar pelo que passou. Mas não deixo de achar engraçado como o vitorioso da edição em que Zachary morreu está junto com a vitoriosa da edição em que a namorada do meu irmão, Amaia, também perdeu sua vida. Pergunto-me se eles têm conhecimento disso, mas honestamente, devem-se estar a cagar para esses pormenores. Batendo com talvez demasiada força a porta do carro atrás de mim, sigo para as traseiras do Edifício da Justiça assim que o carro estaciona, com Mertle tendo que dar uma corridinha para me conseguir acompanhar.

— Dante! Tu nem te atrevas! - Ela cochicha, assim que consegue me agarrar no ombro, obrigando-me a parar e virar-me para ela.

— Não comeces. Não vou armar uma cena, não sou e- Mertle puxa a minha mão e enfia o cartão com o discurso que eu havia amachucado nela, com seus olhos bem focados nos meus, apesar de me sentir obrigado a divergir o olhar enquanto deixo o ar escapar por entre meus dentes, já com falta de paciência para aturar a mesma conversa.

— Desculpa, Mertle, mas acho que não vou conseguir ficar calado dessa vez. - limito-me a dizer, já lhe virando as costas para dar entrada no palco após enfiar o cartão num dos bolsos das calças. Não acho, tinha a certeza. Talvez esteja sendo um pouco orgulhoso porque tampouco proclamaria um cartão dizendo tudo de bom acerca do Distrito Um, dos seus tributos e muito menos do seu mentor, nem aqui nem em circunstância alguma. Não daria essa satisfação para Romeo. O povo do Distrito Um está habituado a ser enchido de elogios, e não duvido que Mertle esteja certa em achar essa a melhor abordagem para um discurso em que tudo corra às mil maravilhas em cima deste palco, mas isso é a última coisa que podem esperar que saia da minha boca. Também não é como se eu fosse ameaçar matar alguém em público ou oferecer um mês dos meus ganhos à família de alguém. Apenas sinto que preciso, principalmente aqui, dizer algo que venha realmente de mim. É o mínimo que posso fazer.

Subo as escadas meio apressado, dirigindo-me com firmeza até ao microfone e ignorando completamente qualquer já presente no palco. Aguardo alguns segundos, o suficiente para os deixar fingir o interesse à minha presença com palmas obrigadas pela sua boa educação e então, quando silêncio se instala, inicio o meu discurso. Começo com a mesma introdução de xaxa já memorizada de trás para a frente de todos os outros distritos por onde passei. Cuspo rapidamente as palavras, sabendo que estas não interessavam nem a mim nem a eles, até abrir caminho para o que realmente tenho a dizer. Sem hesitações, sem medos. Por Zachary.

— Desde que esta jornada começou que não senti necessidade de me justificar para ninguém, mas aqui vamos fazer as coisas um pouquinho diferentes. Pois muitos de vocês sabem, que sentado neste palco poucos metros atrás de mim, está a pessoa responsável pela morte do meu irmão. Eu já perdi a minha mãe, meu pai foi executado à frente dos meus olhos mas nada foi tão chocante para mim como foi na altura ver o meu irmão mais velho, o meu herói, quem eu nos meus plenos doze anos tinha toda a certeza do mundo de que regressaria a casa com vida, perdendo-a pelas mãos de Romeo Citrine. - viro a cabeça ligeiramente para trás, me obrigando a olhar nos olhos do vitorioso ao proclamar seu nome antes de encarar o público novamente - Cresci com raiva. Não queria acreditar que tinham tirado o meu irmão de mim. Graças a isso, prometi a mim mesmo que me tornaria voluntário assim que cumprisse meus dezoito anos. Queria ajustar as contas pessoalmente com Romeo, queria a minha vingança. Agora, não estou aqui com esta conversa para vos fazer sentir pena de mim, pelo contrário. O quão hipócrita isso seria? Neste momento, digo, nestas circunstâncias, há poucas coisas que me distinguem de Romeo. Ambos matámos para poder sobreviver e entrámos ambos no jogo por opção nossa e nossa apenas. Da mesma forma que quem matou meu irmão está a poucos metros de mim… também estou eu a poucos metros da irmã de alguém que eu matei.

Dou uma pausa para respirar fundo, recuperar o fôlego e encarar bem nos olhos a garota que estava em pé no pedestral de Melary, sozinha, antes de fazer meu olhar subir até à imagem da carreirista.

Eu só queria ter ido embora. A morte de Ellie, a confusão que se instalou, eu só queria ter subido na abelha e desaparecer de ali. Mas Melary tinha outros planos, e não hesitou em debilitar as asas do meu bestante para me impedir disso. Não, eu não tinha problemas em matar. Não queria matar ninguém que não tivesse parado àquele lugar sem ser por opção própria, mas não é segredo que eu estava desejoso por um confronto com Caleo. Na altura, tampouco me custou tirar a vida a Zyra. Mas quando chegou à vez de Melary, não, eu não o queria ter feito. Já estava tão saturado, tão na verga do arrependimento, e acima de tudo, tão abalado com a morte de Ellie. Tentei me relembrar que estaria eliminando um dos mentoreados de Romeo, achando que isso fosse tornar a tarefa mais fácil, mas não foi. Não foi outra coisa que não a gota de água para mim. A chamada de atenção para o que eu estava fazendo. Que os meus irmãos estavam a assistir em direto.

— Mas Melary também foi por opção dela. Sabia no que se ia meter e preparou-se para isso. - retomo, em voz alta. Não lhes ia dizer que não o teria feito se ela não tivesse insistido em um confronto. Provavelmente não acreditariam em mim, e também não é o que interessa agora. Eles querem lá saber. A irmã dela quer lá saber. Não mudaria nada agora.  - Zachary não. Ele era bom. Ele não sabia o que estava a fazer, o que devia fazer, só sabia que precisava regressar para os seus irmãos mais novos, ele tinha nos prometido que regressaria. Quando ele não conseguiu cumprir sua promessa, eu fiquei tão puto com o Romeo que não quis saber de mais nada. Eu ia me voluntariar, ia ganhar, e ia vingar o meu irmão. E o pior é que uma parte de mim sempre soube que morreria no processo. E não queria saber. Estava tão possuído por esse desejo que mais nada importava, desde que eu completasse meu objetivo. Ainda até pouco tempo me sentia assim, fui muito claro com isso na minha entrevista. Mas ao que iria levar? Não iria trazer meu irmão de volta. Quanto mais, eu iria ter o mesmo destino que ele assim que tentasse me aproximar de Romeo. Sim, porque morrer pelos Jogos eu não aceitaria. Mas a loucura que eu pudesse cometer depois provavelmente me levaria a esse mesmo destino. Meus irmãos acabariam vendo se passar comigo o mesmo que se passou com Zachary… não foram precisos muitos dias na Capital para eu me aperceber disso. Romeo continuaria com a sua vida normal e na melhor das hipóteses, meus irmãos seriam levados para um orfanato de uma vez por todas.

Outra pausa. Estou a ser sincero quando digo que me arrependo disto tudo, mas não posso simplesmente admitir isso para a Capital. Mertle alertou-me para isso logo de início. Tenho uma personagem a manter, independente de qualquer coisa que se passe dentro da minha cabeça que me possa ter mudado. E a base dessa personagem é minha rivalidade com Romeo. Não posso deixar transparecer que não sinto orgulho na minha vitória, nem me posso render a essa rivalidade. Eles não gostariam disso.

O meu caminho até aqui pode ter tido um monte de imprevistos. Pode ter sido o suficiente para eu ser capaz de admitir que me arrependo das minhas escolhas. Até para eu admitir que pouco me difere de Romeo ou de qualquer outro carreirista! E eu me detesto por isso. Mas não deixo de detestar Romeo também. Não foi o suficiente para mudar isso. Aliás, se há coisa que se manteve constante em mim durante todo esse tempo, é minha vontade de estrangular Romeo com as minhas próprias mãos. A diferença é que há uns meses era louco o suficiente para fazê-lo, e agora que realmente tenho a oportunidade para tal, já não. Não que a Capital me fosse permitir levar essa rivalidade a outro nível que não o teatral, de qualquer forma.

— Então podes estar descansado, Romeo, que não tenciono uma vingança de sangue por sangue como a que o meu eu do passado, revoltado e com uma falsa ideia de justiça e com ainda pior consciência das consequências disso; sonhava. Mas como podem ver, eu não desisti ao todo dos meus objetivos. Eu fui até ao fim com os Jogos, lutei, matei e saí vitorioso. Não apenas por Zachary, nem por ti, Romeo, mas principalmente pelos meus irmãos que ainda me esperam no Dez.

Viro as costas ao público, voltando então a finalmente encarar o responsável pela morte do meu irmão. Aquela cara ainda me enchia de raiva, raiva que não posso deixar transparecer agora. Não penso só na própria morte de Zachary, mas sim em como Romeo tentou manipulá-lo a pressionar o botão dois deixando entender que faria o mesmo para que ambos sobrevivessem. Como o tentou enganar com palavras bonitas, que nenhum valor tinham para ele.

 — Não preciso derramar mais sangue para ter minha vingança. Não quando o responsável pela morte do meu irmão terá que viver o resto da vida sendo constantemente relembrado do que fez. Zachary continua a viver através de mim, Romeo. E a partir de agora, tu terás que o ver em cada ano, em cada edição, em cada evento da Capital. Como se estivesses constantemente preso naquele teste das cabines. Só que desta vez, sem botões quaisquer para te darem uma oportunidade de escape.

Volto a olhar para a frente apenas para pousar o microfone, não hesitando em voltar a dar meia volta para me retirar do palco. Apenas paro a meio do caminho para dar mais uma palavra ao meu futuro colega mentor.

 — Apenas reze para que sempre hajam voluntários para substituir teus filhos, Romeo Citrine. E caso sejam acabem sendo eles mesmos voluntários, reze a dobrar.

Oh Lord, send me transmissions
Forgive me for what I've become
The sun has come to save me
put a little love into my lonely soul


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Pearl Citrine

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MensagemAssunto: Re: Distrito 01   Dom Out 08, 2017 5:38 pm


Pearl Citrine

Meus olhos pesam quando tento abri-los, depois que Romeo me desperta com um beijo na bochecha. Me espreguiço e dou um tempinho de olhos fechados na cama, como faço toda manhã, enquanto espero que Romeo traga os gêmeos. Dawn vem conversando com seu pai, contando animada do sonho que teve. Dusk, como sempre, vem dormindo preguiçosamente no ombro de Romeo.

Recebo o pequeno em meus braços, beijando-o delicadamente em sua testa. Dawn pula duas vezes na cama, antes de vir me dar um beijão de bom dia. Ela aproveita enquanto a irmã mais velha não chega para brincar um pouco, dando tempo também para Dusk acordar. Romeo nos chama a atenção para as pegadas leves de Sun e Laelaps se aproximando do quarto. As duas rapidamente entram e vão até nós, a primeira se juntando a gente em cima da cama, enquanto a segunda se deita aos nossos pés, com o olhar atento a tudo o que falamos, como se pudesse entender tudo o que se passa.

Então se inicia a nossa rotina matinal diária. Todos verbalizam o que esperam do dia e quais obrigações possuem para serem desempenhadas. Como hoje é o dia em que a Turnê da Vitória passa por nosso distrito, temos o dia de folga para passar em família. Mas, antes disso, teremos que comparecer ao evento. Para as crianças, é só mais um dia em que vão passear pelo distrito, mas para mim e Romeo é algo massacrante. Principalmente pela pessoa que estará discursando naquele palco.

Enquanto Romeo arruma o café da manhã com Sun, dou banho nos gêmeos e deixo os dois arrumados. Mamãe chega assim que desço com Dusk e Dawn e coloco-os à mesa. Tomamos o café da manhã em família, como se fosse um dia como qualquer outro, mas percebo que Romeo está mais calado que o normal. Sei que ele tenta não transparecer o quanto a chegada do rapaz Archer em nosso distrito pode mexer com ele, mas sei que é algo inevitável. Romeo foi o responsável pela morte do irmão daquele rapaz e sei que haverá um desconforto horrível naquele palco. Só espero que tudo dê certo...

Dois carros vêm nos buscar. Mamãe vai com as crianças em um carro, enquanto eu e Romeo vamos em outro. Durante todo o percurso, Romeo permanece em silêncio, com a expressão séria e dura de quando ele tenta esconder algum sentimento. Não questiono ou faço qualquer coisa que denuncie que eu sei o que se passa por sua cabeça, porque só pioraria a situação. Seguro sua mão e olho para fora da janela despreocupadamente, como se tudo estivesse tranquilo. Mas não está.

A despedida com as crianças e mamãe é rápida. Sun segura na mão de Dawn e segue atrás de mamãe e Dusk entre a multidão. Romeo e eu entramos no prédio, rapidamente nos dirigindo até o palco. Fico aliviada por termos chegado antes do rapaz, porque não sei o que esperar dele, principalmente em um lugar fora do alcance dos olhos da população.

Os minutos de espera parecem uma eternidade. Vejo o agora prefeito do Distrito 1 lendo e relendo os cartões, como se fossem falas muito difíceis de serem decoradas. Depois de tudo o que aconteceu, a Capital não permitiu mais que eu desempenhasse a função. Depois que Katniss Everdeen usou a sua influência de vitoriosa para iniciar uma guerra, eles nunca permitiriam que outro vitorioso desempenhasse qualquer papel de poder em Panem. Pelo menos, só nós sabemos disso. Publicamente, deixei a função para cuidar de meus três filhos.

O prefeito se levanta e instintivamente seguro firme a mão de Romeo, denunciando todos os meus pensamentos e medos. Dante Archer já está no interior do Edifício da Justiça. O vitorioso da edição passada é recebido com palmas pouco animadas. Algumas pessoas na multidão começam a conversar entre elas pelos dentes, apontando para o rapaz e Romeo. Tento não deixar transparecer meu desconforto, assim como sei que Romeo também está o fazendo.

O discurso de Archer começa com palavras simples e pouco diretas. Notoriamente, são as palavras que sua acompanhante escreveu à ele. Eu, como vitoriosa, reconheço um discurso pronto a quilômetros de tanto que já os presenciei. Fico menos tensa, imaginando que talvez o rapaz nem faça nada demais e não cause uma situação desagradável. Mas, contrariando a minha ingenuidade, ele não demora tanto assim a falar de seu irmão e de aponta o responsável pela morte dele. Ele se vira, encarando Romeo nos olhos, como se tentasse disparar todo seu ódio por eles.

Seu discurso se desenrola direcionado para o público, mas, de repente, há um plot twist que me deixa um tanto quanto intrigada. O rapaz admite a toda Panem que seria hipócrita ele odiar alguém por ter matado seu irmão quando ele mesmo fora responsável pela morte de alguns entes queridos de outras famílias. Aquilo faz meu coração apertar. Me lembro de quando eu estava naquela arena horrível, coberta de sangue de Emma e Icarus, desesperada para ser resgatada daquele pesadelo. Além de ter que encarar seus familiares cara a cara durante minha Turnê da Vitória.

Tento tirar isso do meu pensamento enquanto presto atenção no resto do discurso do rapaz. Ele continua se lamentando e falando sobre como foi horrível perder seu irmão, mas sei que isso não afetará de qualquer forma Romeo. Isso poderia afetar qualquer outro, menos ele. Meu marido tem a convicção de que tudo o que ele fez em sua edição tinha que ter sido feito. O irmão do rapaz morreu pelo acaso. Os dois estavam nos Jogos Vorazes, apenas um deles iria sobreviver.

Archer revela que não tenciona se vingar de Romeo, que isso ficou com seu eu do passado. Mas, contraditoriamente, diz que Romeo terá que encarar o rapaz todos os anos, fazendo-o relembrar o que fez ao seu irmão, como se ainda estivesse preso naquelas cabines ano após ano. Sei que isso não trará desconforto nenhum a Romeo, mas apenas a mim. Eu não vou conseguir ficar perto deste rapaz. Não pelo que meu marido fez, mas porque alguma coisa nele me faz retornar àquelas memórias horrendas na 67º Edição dos Jogos Vorazes. Dante Archer é uma pessoa tóxica a mim.

O vitorioso retorna o microfone ao local, recebendo novamente as palmas da população. Mas, quando eu acho que tudo acabou, o rapaz para no meio do caminho e se direciona a nós. Suas palavras são frias e fazem meu corpo congelar por alguns instantes. Meu estômago revira e todo o meu sangue vai para meus pés. O que antes era um sentimento de insegurança, agora passou a se tornar raiva. Esse rapaz acabou de ameaçar a minha família e eu não deixarei isso barato. Levanto-me e vou até o interior do Edifício da Justiça.

— O mesmo vale aos seus irmãos, Archer! - digo em voz alta, antes que ele saia do local - Mas, diferente deles, meus filhos estarão mais que preparados para isso!

Romeo me segura pelo braço e me tira dali, rapidamente. Tenho vontade de falar mais algumas coisas para esse rapaz, mas meu marido me arrasta tão rápido que não consigo mais pronunciar uma só palavra que ele possa escutar.

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